Transmita ou ignore: ‘Wyatt Earp e a Guerra dos Cowboys’ na Netflix, um docudrama sobre a rivalidade do lendário policial com os cowboys do oeste selvagem do Arizona

Wyatt Earp e a Guerra dos Cowboys é um docudrama, narrado por Ed Harris, que examina a história real sobre como Earp e seus irmãos, homens da lei na cidade rica em prata de Tombstone, Arizona, enfrentaram os Cowboys, uma gangue de ladrões de gado e outros criminosos, na década de 1880. Em vez de depender apenas de cenas roteirizadas ou entrevistas de docuseries, ele utiliza ambos criteriosamente.
WYATT EARP E A GUERRA DOS COWBOYS: TRANSMITIR OU PULAR?
Cena de abertura: “26 de outubro de 1881.” Vemos um tiroteio em andamento.
O essencial: Wyatt Earp e a Guerra dos Cowboys alterna entre reconstituições roteirizadas e entrevistas com cabeças falantes com fotografias de arquivo. Nas reconstituições, começamos no famoso tiroteio no OK Corral, com Wyatt Earp (Tim Fellingham), seus irmãos Virgil (Ariel Eliaz) e Morgan (Shane Penhale), e Holliday (Edward Franklin) de um lado, e o líder dos Cowboys Ike Clanton (Jack Gordon) e sua equipe do outro.
Mas antes que o show faça um mergulho profundo no tiroteio e suas consequências, voltamos sete meses, para um assalto a uma diligência do Wells Fargo que matou um motorista e um guarda. De volta a Tombstone, onde a diligência se originou, o xerife Behan (Alex Price) faz os irmãos Earp investigarem. Quando eles encontram o primeiro da gangue que roubou a diligência, a faixa de pele de cobra em seu chapéu indica que ele era um membro dos Cowboys. O cara vira o jogo contra seu parceiro no ataque.
Wyatt Earp vai até Clanton para descobrir onde está o parceiro, Clanton e seus homens conseguem tirar o informante da prisão para que eles mesmos possam cuidar dele. Holliday é preso e jogado na cadeia sob uma falsa acusação de que ele roubou a diligência. Quando uma recompensa é colocada nas cabeças dos ladrões da diligência, o próprio Clanton se torna um informante para coletar. Mas a recompensa é rescindida quando os ladrões são mortos antes que Earp possa prendê-los. Isso significa nada de dinheiro, e Clanton tão bravo que está pronto para confrontar Earp, seus irmãos e Holliday.

De quais programas isso vai te lembrar? Wyatt Earp e a Guerra dos Cowboys está nesta categoria aparentemente nova de “docudrama”, que intercala reconstituições roteirizadas com entrevistas e filmagens de arquivo reais. Um bom exemplo deste gênero é o Netflix Rainha Cleópatramas Wyatt Earp é uma produção muito melhor. (Se você está em busca de algo com melhor produção e valores de narrativa, experimente Kevin Costner como o lendário policial em Wyatt Earp ou Kurt Russell em Lápide.)
Nossa opinião: O que Wyatt Earp e a Guerra dos Cowboys o que a maioria dos outros programas desse gênero híbrido não faz é dar tanta atenção, se não mais, à parte roteirizada do que à parte documental. Dirigida por Patrick Reams e escrita por Reams, Stephen David e Henry Fitzherbert, a série pega uma história complexa e a torna acessível, por meio de uma trilha sonora moderna de rock and roll e da narração avuncular de Harris. Também ajuda que as performances de Fellingham como Earp e Gordon como Clanton sejam mais do que confiáveis.
Os cabeças falantes são usados com certa moderação, e todos são especialistas bem conhecidos na história do Velho Oeste, assim como Earp e Clanton. Mas o condutor da série é a parte roteirizada, que é costurada pela narração de Harris; o ator veterano está lá para espetar mitos que se perpetuaram nos últimos 140 anos sobre Earp, os Cowboys e o tiroteio de OK Corral.
Mas Harris também está lá para colocar as coisas em contexto do mundo real, como por que a recompensa de US$ 6.000 pelos ladrões de diligências era uma quantia enorme e sem precedentes naquela época. Ele também discute como Tombstone não era um “inferno sujo, empoeirado e sem lei como você vê em filmes antigos de Hollywood”; tinha uma população rica e se tornou um centro cultural no Velho Oeste, graças ao suprimento próximo de prata. Também tinha a atenção de JP Morgan (Peter O’Meara), o banqueiro americano bem relacionado que queria comprar as ferrovias e melhorá-las. Ele precisava que seus investidores britânicos aristocráticos sentissem que enviar seu dinheiro para os Estados Unidos era seguro, e os assaltos a diligências tendiam a deixá-los cautelosos.
Por causa da complexidade da situação — a Cowboy War começou com o tiroteio em OK Corral — a trama da série pode dar um pouco errado. Mas com Harris, assim como os comentaristas — incluindo o famoso historiador Douglas Brinkley — nos guiando pelos vários jogadores e motivações, e um mandato claro para contar a maior parte da história por meio das reconstituições, a série inteira é muito mais divertida do que a maioria do que vimos do gênero docudrama até este ponto.
Sexo e Pele: Nenhum nos dois primeiros episódios.
Tiro de despedida: O irmão de Ike Clanton, Billy (Dylan Stav), é o primeiro a sacar sua arma no OK Corral, e o tiroteio começa.
Estrela Adormecida: Edward Franklin é muito divertido como Holliday, o ex-dentista que bebe para suprimir seus ataques de tosse causados pela tuberculose, e é um curinga tão grande quanto Wyatt Earp tem ao seu lado.
Linha mais piloto: Quando Wyatt Earp dá um soco em um dos suspeitos do assalto à diligência, seu irmão diz: “Você não precisava fazer isso”, ao que Wyatt responde: “Sim, eu fiz”.
Nossa Chamada: FAÇA STREAM. Wyatt Earp e a Guerra dos Cowboys faz uma análise divertida de uma parte surpreendentemente complexa da história americana, com seu uso criterioso de narração e entrevistas apoiando encenações bem escritas e bem atuadas.
Joel Keller (@joelkeller) escreve sobre comida, entretenimento, criação de filhos e tecnologia, mas não se engana: ele é um viciado em TV. Seus textos já apareceram no New York Times, Slate, Salon, RollingStone.com, VanityFair.comFast Company e outros.